1 de setembro de 2009

A Ignorância Abençoada


Certamente o termo santa ignorância tem uma razão lógica de existir. Talvez ela seja de fato abençoada, não só por aqueles que dela tiram proveitos, mas também para aqueles que com ela sobrevivem, alimentando uma pseudo-felicidade. Tanto um, como o outro, vêem na ignorância algo essencial para se viver bem, seja contrariando ou não um conceito de pensamento crítico, cada vez mais latente em nossa sociedade.
É, com toda a certeza, extremamente necessário se pensar os problemas sociais e tentar soluções para eles. O mundo beira o caos e pouco se faz para melhorias. O pensar criticamente esses problemas ajuda a progredir em relação a possíveis melhoras pessoais e posteriormente, mundiais. Porém, por estes dias ando me perguntando frequentemente, quais as reais vantagens em sempre estar problematizando tudo? Confesso que, as conclusões que andam rondando as minhas dúvidas me deixam cada vez mais inquietas em relação ao que almejava me tornar como ser humano.
Sempre acreditei na força do pensamento e das palavras e como podemos mudar tudo que quisermos com essas ferramentas. Sempre acreditei que a educação é o melhor caminho para alterar o fluxo dessa sociedade desigual e desumana. Sempre acreditei que a alienação, as ideologias, os dogmas religiosos são um problema gravíssimo, que nos torna praticamente fantoches nas mãos daqueles que sabem como manipular. Mas também, sempre acreditei em felicidade e não consigo vê-la separada de um conceito de paz muito forte. Paz essa, interior.
Cada dia mais, sinto em mim mesma e em todas as pessoas conscientes que conheço, uma melancolia e agonia crescentes e sempre presentes nos olhos. Parece que quanto mais pensamos nos problemas do mundo, maiores eles ficam e mais nos atormentamos por sermos capazes de muito pouco fazer perante esses mesmos problemas. Estamos sempre inquietos, pensativos, pesarosos e sofrendo por causas mundiais ou ideais de mundo melhor.
Cada vez mais somos distanciados do mundo em que vivemos, por sonharmos com um mundo diferente, igualitário, artístico, humano, onde a educação, a saúde, a política não seriam uma utopia. E o que aflige, de forma massacrante, é saber que é possível. Basta apenas que as pessoas simplesmente pensem. Mas todos os dias nos deparamos com menos discernimento e muito menos vontade dos seres humanos em querer pensar e se dar o trabalho de ficar como os pensadores, com dores de cabeça, aflitos, cabelos brancos, esquizofrenia ou genialidade esquecida.
Infelizmente, tudo isso me faz a cada dia repensar meus conceitos de criticidade para com o mundo e avaliar o que realmente está valendo a pena. São tantos conflitos com que me deparo e me sinto perdida em meio aos meus sonhos e ao que sinto ser o máximo que dá para concretizar. A impressão que dá, é que tudo que foi feito com arte, inspiração, alma, serve apenas para criar sentimentos turbulentos, contraditórios e tantas vezes tristes.
As músicas, os quadros, os livros, são densos. Jamais nos acalmamos. Eles nos incitam a sempre querer mais, pensar mais, problematizar mais para chegar a mais conclusões. E quanto mais pensamos e nos perguntamos, mais respostas podemos achar, pois é um ciclo sem fim e que nos mantém como ratos naquelas rodinhas das suas gaiolas. Eternamente rodando atrás de uma perfeição que nunca vamos alcançar, por nunca nos contentarmos.
Com isso, ando sinceramente considerando a alienação como uma forma das pessoas poderem se sentir, pelo menos pseudo-felizes. As músicas, os livros, os quadros, nesse sentido, não querem dizer nada. Eles apenas alegram, fazem dançar, chorar sem muitos problemas a serem pensados, passar pelo mundo considerando a rotina de suas vidas algo normal e tentando fazer com que ela seja o mais prazerosa possível.
Os jornais servem apenas para direcionar os assuntos nos botecos, esquinas, pontos de ônibus ou qualquer lugar onde se tenha tempo para pensar e falar sobre alguma coisa. Mas até mesmo esse pensar e falar serve apenas para relatar o que se leu, ou ouviu de alguém e funciona como passatempo. Nunca para raciocinar sobre ou para se chegar a uma conclusão que de fato melhore alguma coisa. E me pergunto, hoje em dia, se isso é tão ruim assim.
Vejo pessoas sorrindo ao consumir indústria cultural e não franzindo a testa para refletir sobre o que estão consumindo. Seus olhos não têm sempre uma nuvem escura de pensamentos obscuros. Elas não estão sempre vendo mensagens subliminares ou tentando encontrar uma lógica que as estão alienando, nem analisando as pessoas e vendo quais estão ou não no seu mesmo patamar de pensamento. Elas consomem ideologias e são satisfeitas por elas. Tem sonhos pequenos e facilmente realizáveis. Não são empreendedoras, nem tão promissoras quanto poderiam ser, mais são simples e isso gera menos complexidade. Elas são fantoches, mas ainda assim se divertem. E nós, pensadores frenéticos, sempre em busca da crítica, da melhora, da solução?
O que vejo são os nossos sonhos nos tirando o sono. Tantos já foram queimados, esquartejados, exilados, calados forçadamente. Tantos enlouqueceram. Tantos outros inventaram tantas coisas que talvez serviram apenas para querermos inventar mais e mais coisas. Somos melancólicos, tantas vezes ranzinzas, seletivos. Estamos sempre querendo a revolução porque não suportamos mais esse mundo. Mas até quando?
Sinceramente, depois de tudo que já vivi, ou do que já sei sobre o sistema, alienar-me realmente não é uma opção. Não conseguiria simplificar as coisas e não enxergar todos os seus defeitos, mas não suporto mais manter as aparências e não tentar enxergar suas qualidades. Adaptação? Não sei, apenas uma inquietude de quem realmente não sabe mais o que fazer, o que sentir ou o que esperar de si mesmo e de uma sociedade.



Alliny Araújo

4 de agosto de 2007

Nada melhor que um rock...


Às vezes, a impressão que dá é de não existir nada melhor que não fazer nada, além de ouvir um bom rock... À vontade que tenho consisti em enfiar a cabeça num buraco e ficar por ali até tudo de maligno passar. Mas às vezes nem o rock resolve e daí eu não sei o que inventar. Reclamar é uma opção até pintar certa ação ou motivação para transformar tudo de errado.
Acontece que nem sempre as suas mãos sozinhas conseguem assumir alguma atitude e não há quem tenha entusiasmo ou coragem para ajudar-te ou, quem sabe, apenas ouvir qualquer lamento seu. Vivemos para tentar viver melhor, sempre nos esforçando, usando todo o escasso tempo disponível e consumindo até a última gota de suor. Quase nunca se arranja algo para satisfazer-te e também por isso aspire-se sempre mais. O muito nunca é o bastante e quando se percebe, não há nada mais que se possa fazer, porque o tempo acabou e nada disso você leva para eternidade.
Dói saber que se arrepender na maioria dos versos é tarde demais para se voltar atrás. Ninguém compreende o quanto tudo seria mais fácil se soubéssemos descomplicar o que no fundo não tem nada de complicado. Fácil como cantar um rock... Fácil como dançar um samba... Mas prefere-se arriscar o tango que se leva tempo e é tão abstruso.
Talvez por isso ninguém entenda o que existe dentro desse crânio o qual persisto em carregar sobre o pescoço. Simples como me dizer: “te amo”, sem precisar enaltecer o mar e as estrelas ou escrever uma poesia. Simples como rir sem querer saber se está ridículo ou se alguém está vendo... Rir por sorrir só para fazer-se feliz um instante. Bobo como fazer pose de anverso ao espelho e naquele momento sentir-se uma superstar. Básico como jeans e camiseta.
Se tudo fosse vivido assim, não existiriam mágoas que são derivadas de cabeças de pessoas amargas, ou violência, procedentes de uma sociedade complicada demais para se viver em paz. Não haveria ódio nem dor, pois tudo seria muito mais simples de resolver-se... Sem a necessidade de mil justificativas, mas apenas um simples abraço. Tudo teria mais acepção se eu e você fossemos amados e amássemos copiosamente, de um jeito pleno, que fizesse da nossa história uma vida de verdade e não uma simples passagem pela Terra por deficiência de opção. Se houvesse, além disso, AMOR tudo se demudaria em verdade, tudo se resumiria em felicidade eterna. Sei, não fomos inventados para conviver num mundo assim, mas queríamos algo maior da exação que Deus havia nos dado e transformamos tudo, nisso que nos restou hoje. Um isso qualquer cheio de tijolo e sem nenhum sentimento. Se eu pudesse gritar, espernear e isso adiantasse... Se eu pudesse mudar só a sua cabeça e te fizesse transformar seu interior só por hoje... Se eu conseguisse me fazer entender... Se você soubesse o que eu experimento nesse momento de solidão no qual só tenho letras para acompanharem essa reclamação triste, de alguém que apenas ansiava ter algo bom para fazer, as quais não me cometessem em pensar besteira... Ter um ombro para encostar... Braços para me aconchegar que se encontram bem distantes e não virão logo hoje que eu tanto preciso deles. Nem para palavras há mais tempo, pois o ciclo da existência tem que continuar, e o amanhã com certeza nascerá para a maior parte das pessoas. Um amanhã sem muitas novidades com o poder de tornar o dia feliz... A não ser por aquela voz que já não vejo a hora de ouvir de novo, para dar luz ao meu mundo, que se faz tão repleto de trevas... Aquela voz que é o único motivo pelo qual eu irei despertar amanhã, prosseguir e tentar fazer algo para não ser em vão.
(Alliny Araújo)

18 de maio de 2007

MOFOCA

10.05.07
Hoje participamos da MOFOCA (mostra de fotonovela cantada). Nada mais é do que uma apresentação dos alunos do primerio período sobre a fotonovela entregue ao professor André. Gostei da iniciativa em si, mas acho que a bagunça extrapolou o combinado. Enfim, alguns alunos aproveitaram para ferir as suas inimizades com bolas imensas de papéis. E também os erros técnicos cortaram a nossa querida Samara do meu trabalho, além de cortar alguns balões com as falas. Fora isso, foi legal participar da zona em si e melhor ainda foi fazer o trabalho e tê-lo em mãos. Gratificante ver um trabalho seu pronto e tão bem feito como foi o nosso, que nos rendeu um belo almoço na casa do Ed, belas horas de frente o pc mexendo no photoshop, belos reais do nosso bolso e muitaaaaaaaaaaaaaa dor de cabeça. Mas mesmo assim valeu demais...esperamos que o vídeo possa ficar tão bom.


14 de maio de 2007

SOU GAY SIM, ISSO IMPORTA?


Aula 22 - 07.05.07
Bom, a essência da aula de hoje foi um debate sobre indústria cultural e cultura de massa. A sala foi dividida em dois grupos, cada qual defenderia uma teoria e seriam atribuídos pontos para os que melhor argumentassem. Eu defenderia a indústria cultural, que como já disse, concordo com os argumentos por eles fornecidos para essa tese. Mas, perguntando aos meus colegas sobre o debate, que infelizmente não tinha cabeça para participar, me disseram que discutiram sobre argumentos para indústria cultural, mas depois o André inverteu os grupos, portanto, o grupo em que eu estaria falou sobre cultura de massa. Uma pena minha mente estar confusa e triste. Gosto muito de todas as aulas de Fundamentos Científicos da Comunicação, mas o fato de ter perdido o emprego, com parcelas da universidade atrasadas e isso pondo em risco o curso que amo tanto, me deixaram profundamente triste. Mais triste ainda o motivo da minha demissão. Desculpe a parte acadêmica do blog, mas o usarei para desabafar mais uma vez. Creio que meu chefe é homofóbico, pois me demitiu simplesmente porque namoro uma menina. Porque não o processo? Primeiro porque ele tem negócios com gado, que nesta terra do esterco são altamente viáveis e influenciáveis. Conhece todas as pessoas importantes dessa cidadezinha monopolizada e ruralista. Além de ser advogado e ter feito tudo debaixo dos panos. Seria a palavra de uma humilde estudante, contra a de um ricaço conhecido e respeitado. O que me cansa é reconhecer o quanto ainda temos que amadurecer em termos sociais. Será que terei que me esconder como os marginais para conseguir manter um emprego e me formar? Uma pena os homossexuais ainda serem tão reprimidos e medrosos, porque se todos resolvessem se rebelar, a sociedade teria que nos respeitar, nem que fosse na marra. Estimativa feita ano passado, em julho, época da parada gay da cidade, haveriam 45 mil homossexuais em Uberaba. Para uma cidade com menos de 300 mil habitantes é um número significativo. Porque então ainda temos que fingir que amamos socialmente igual aos outros, apenas para não sermos reprimidos? Deveríamos nos unir, não apenas nas festas, mas quanto a criar protestos, projetos, passeatas e o escambau para que essa sociedade hipócrita perceba que somos profissionais competentes, pessoas de caráter, dignas e principalmente, sinceras com nossos sentimentos. Não te peço aceitação, eu não preciso dela. Apenas te peço respeito, para que eu possa te respeitar também.





A REVISTA QUE SE PERDEU

Matéria do observatório que fala sobre o auge e a degradação de uma das maiores revistas do país: a Veja. A princípio, privilegiada com entrevistas exclusivas, repleta de matérias interessantíssimas, calcada em fatos concretos e de interesse público, era o modelo de empresa e imprensa. Informações apuradas com rigor, textos escritos cuidadosamente e pautas escritas brilhantemente, davam a Veja o respeito de milhares de leitores e jornalistas. Porque será que então se deixou desmoronar? Talvez por não seguir mais os requisitos que a tornaram tão conhecida e respeitada. Por permitir a distorção de algumas matérias, não ter mais o cuidado com os textos, deixando que nos mesmos contenham grosserias. Hoje em dia, temos leitores de Veja desconfiados de seu conteúdo. Infelizmente, o que vemos é um grande tombo daquela que poderia ser ícone nacional. É uma pena, mas daqui um tempo os olhos se fecharam para aquela que tentava fazer com que as pessoas "Veja".