16 de fevereiro de 2013

GAYS HOMOFÓBICOS???



Geralmente fico me policiando para não falar apenas sobre homossexualidade e os preconceitos que ainda sofremos da sociedade. Mas preciso falar sobre o pior tipo de preconceito que existe nesse sentido: o de gays contra gays. E pra ancorar o texto, ouvi de um amigo uma história que me deixou chocada. Ele foi humilhado e agredido verbalmente por um casal de amigos gays só porque beijou um cara em uma festa.
Daí eu fico me perguntando: Como é que gays podem ser contra manifestações de carinhos entre iguais? E o que é pior, como podem se sentir no direito de esculachar quem tem coragem de se assumir? Em minha opinião, esses sim deveriam sentir vergonha de se esconder atrás da máscara da hipocrisia, por causa de uma sociedade que não os aceita. E nesse momento surge outra pergunta: é a sociedade mesmo que não os aceita, ou o problema é no buraco, que fica bem mais embaixo?
Confesso que em momentos assim me sinto envergonhada de fazer parte de uma classe ainda tão desunida. E não entra na minha cabeça comportamentos desse tipo. Quer ser enrustido? Que seja, mas não fique aí atrapalhando a felicidade de quem não tem motivos para se camuflar, ou assumir papéis inexistentes. Até porque, nem a lei proíbe exposição homo afetiva, onde quer que seja. E se não é contra a lei, meu amigo, é porque não prejudica ninguém.  
Bandido é que tem que se entocar e fazer coisas por debaixo do pano. E se você que é gay não é assumido, por qualquer motivo que seja, pra mim você está se igualando a esses mesmos bandidos. Está dizendo pra sociedade, com o seu comportamento, que ser gay é errado, que é algo pra ser vivido só quando não tem ninguém olhando. E eu sinto nojo de você, porque no seu egoísmo, prejudica uma classe inteira que pretende ser feliz sendo quem é e faz por onde, mostrando ao mundo que somos normais.
No mais, acho que gente assim não tem mesmo que falar pro mundo que é gay, porque gay, como a tradução da palavra em inglês, é feliz, rosa, roxo, cheio de purpurina que é pra brilhar e aparecer por onde quer que vá. É arco-íris, meu bem, cores que o mundinho dos enrustidos deve desconhecer por ser cinza, marrom ou beginho.
POR FIM, EU TENHO MUITO ORGULHO DE SER GAY E OS INCOMODADOS QUE SE RETIREM. Alt+F4 é serventia da casa.

Alliny Araújo - Jornalista
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2 de fevereiro de 2013

Mais sobre Incoerência


OBS: fiz esse texto há algum tempo, quando a boate gay foi aberta. Mas como nunca vejo travestis frequentando o local, acho que ainda deve ser proibida a entrada deles. Por isso, pela indignação, pelo pedido de respeito ao ser humano, esse texto vale ser republicado.



No fim de semana passado abriu uma nova boate gay em Uberaba. Uma estrutura ótima, com um ambiente bem decorado, bonito, fino, um som muito bom e gente bonita. Nós gays merecemos um lugar assim pra dançar, ver gente, beber, sorrir, enfim, nos divertir. Mas antes que você pense que esse texto é um jabá, um release, ou algo do tipo, já adianto que o motivo para falar sobre a boate é que Nem que a Vaca Tussa vou ficar calada diante do fato deles estarem proibindo travestis de frequentarem o lugar.
É amigo, você não leu errado. Em um lugar onde o foco é o público gay, travestis são barrados na porta, proibidos de entrar e usufruir de tudo que já mencionei acima. Agora eu me pergunto: Por quê? Quem ali dentro, ou de fora, ou em qualquer lugar da sociedade tem moral ou direito de vetar a liberdade de ir e vir de qualquer ser humano? Pior, quem é o GAY sem noção nenhuma de civilidade que tem a coragem de humilhar uma camada social que já luta tanto pra ser aceita, sabendo, como gay que é, o quanto é difícil viver nessa sociedade preconceituosa?
Eu fico por entender uma coisa dessas e não dá pra engolir atitudes assim. Eu queria muito poder dizer que finalmente Uberaba tem um lugar onde dá gosto de ir, mas, infelizmente, as notícias não são tão boas assim. Acho que já é hora de os travestis se revoltarem e lutarem para que seus direitos sejam reconhecidos. E se orgulharem de terem mais coragem do que muita bicha que fica por aí se achando superior e no fundo morre de vontade de ter um belo par de peitos, uma bunda empinada e dura e um super cabelo para arrasar na pixxxxxta.
Travestis, vocês tem o meu apoio e fiquem sabendo que não só o meu. Muitos gays, lésbicas e afins estão indignados com essa atitude idiota por parte dos donos e/ou organizadores da boate. Deve ser invejinha da beleza de vocês que chama muito a atenção por onde quer que passem. Mas independente de qualquer coisa, já passou da hora, digo e repito sempre que for preciso, de termos mais respeito pelo ser humano. E é lamentável ver desrespeito em locais onde devia imperar a liberdade: de expressão, do ser, do vestir, sentir, agir e viver. E acima de tudo, a liberdade para ser feliz.
No fundo, somos todos iguais nas diferenças.

18 de janeiro de 2013

Império da Desigualdade e do Caos


        
        Segundo o filósofo Eurípides, os pobres são danosos, propensos à inveja e seduzidos pelos discursos dos demagogos. Para Aristóteles, há indivíduos tão inferiores a outros que o emprego da força física é o melhor que deles se obtém. Na Bíblia, a miséria existe para contrapor o egoísmo e a ambição e o que há de preconceituoso nessas visões é o que muitas vezes influencia, nos dias de hoje, a visão capitalista da desigualdade social. Mas como podemos diferenciar seres humanos, se todos têm polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido? Quem escolheu, lá nos primórdios, quais seriam ricos e os que deveriam acatar o fardo de ser miserável?
É óbvio constatar, a partir disso, que o que realmente nos torna pessoas de classes sociais distintas é a quantidade de cifras da nossa conta no banco (se existir uma conta) e não a capacidade de buscar melhorar o mundo, nem que seja o nosso. Como diria Rousseau, acatamos as cercas de um terreno e reconhecemos seu dono por não termos nos rebelado, naqueles mesmos primórdios e reconhecido que os frutos são de todos e a terra não pertence a ninguém, muito menos ao dono dos porcos.
Infelizmente, somos altamente influenciáveis e passíveis de crenças e ideologias criadas por quem quer dominar a sociedade e reconhece as suas habilidades de persuasão, usando-as com maestria. A pobreza, em algumas religiões, é uma dádiva. Alcançarão os céus àqueles que forem humildes na Terra. Para a economia, é um problema que os políticos não querem sanar, pois quanto mais indivíduos sem as mínimas condições de ter consciência crítica, mais fácil será a manipulação das massas e, por conseguinte, a imposição de salários ridículos, ainda com certa aprovação ou um conformismo vantajoso.
            Isso explica o motivo da renda mundial ser tão concentrada e a maioria da população aceitar tais fatos, sem qualquer reação. Eike Batista perdeu esses dias 2 bilhões de sua fortuna na bolsa de valores e sabe o que aconteceu? Nada. Não fez nem cócegas. Dinheiro tem para jogar fora e junto com ele existem mais alguns bilionários pelo mundo, enquanto a maioria da população sobrevive com migalhas.
Ainda por cima somos moldados a acreditar que a culpa da pobreza é nossa, que não estudamos o suficiente para “subir na vida”, não trabalhamos o tanto que deveríamos, ou quem sabe recebemos um fardo divino que devemos carregar sem maiores reclamações. E assim nos tornamos cada vez mais passivos e controlados facilmente pelo sistema. Até porque, humildade na boca de muitos é uma dádiva e dinheiro não traz felicidade. Realmente não acredito que traga em sua essência, mas sentir fome, frio, ter mais contas do que se pode pagar ou estar desempregado, não dá nem espaço para alegria entrar na vida de alguém.
            Infelizmente não passamos de engrenagens baratas de uma sociedade injusta e imoral, que é capaz de colocar seres-humanos se alimentando de lixo, enquanto toneladas de alimentos se perdem, simplesmente porque eles não têm nenhum dinheiro ou um dono que os alimente. E continuamos de braços cruzados, vendo as ilegalidades empregarem nossos filhos, o medo apavorando nossas vidas e os burgueses rindo da nossa alienação atrás de seus seguranças e carros blindados, para não serem atingidos pela massa pobre, sem oportunidade e sem nenhum motivo para se ter respeito pelo ser humano. 

Alliny Araújo
@Dependy
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13 de janeiro de 2013

MONOGAMIA: FIEL AMOR OU UM CONCEITO CULTURAL?


          
Segundo o dicionário Houaiss, monogamia significa: regime ou costume em que é imposto ao homem ou à mulher ter apenas um cônjuge, enquanto se mantiver vigente o seu casamento. Leia-se bem: IMPOSTO! Se essa palavra significasse alguma coisa boa, não era atribuída aquela quantidade descomunal de dinheiro que o governo nos arranca, simplesmente usando-a como desculpa e a frente das siglas.
Já a poligamia, segundo o dicionário enciclopédico SAV (sexo, amor e vida), veio com a dissolução da grandeza humana, com a vitória dos instintos sobre o espírito, do homem animal sobre o espiritual e todos durante algum tempo ou quase sempre vivem na poligamia. Leia-se bem: TODOS. Essa palavra já exclui a possibilidade de tirar você dessa. Não crie falsas esperanças.
Não preciso nem ressaltar que concordo com as fontes, além de adorar quando os instintos ultrapassam o teórico e qualquer tipo de raciocínio inútil, que serve apenas para nos deixarem traumatizados, com a libido afetada e com o desejo sexual de um monge. Com certeza, os animais que existem em nós deveriam reinar nessa selva de desejos carnais por mais tempo. E por que não por todo o tempo?
Aliás, ser fiel é um conflito interno que flutua entre o pecado ou a realização de vontades incontroláveis. Quantas vezes nos frustramos por ter cedido às “tentações” ou por não ter vivido o que num determinado momento mexeu com a nossa mente insana? Mas, enfim, você já se perguntou se a sua fidelidade ou não, advém de um suposto amor ou é um conceito cultural imposto pelos demagogos da sociedade e que nos vemos obrigados a seguir?
Ah, seres humanos bestiais e hipócritas, aprendam a diferenciar carnes e sentimentos e deixem os fluidos fluírem. A tal felicidade tão sonhada será com certeza vivida se você for livre de convenções e libertar o que a sua raça de homem bicho não nega. Ainda temos, na poligamia, a opção de dar chifres em troca. Dizem que troca-troca faz um bem e que chifre trocado não dói. Além do que, acho de um mau gosto tremendo desperdiçar namoros por eventuais puladas de cerca.
TODOS estão fadados a cometer esses “deslizes”, lembra? Na verdade, nem deslizes são considerando que na minha extensa estatística de rodas “butecais”, de amigos loucos e filósofos, todos traem, ou trairão, ou já foram traídos. Não existe exceção para essa regra, nem se iluda achando que você pode vir a ser uma! Portanto pessoas, para que se importar com ereções, secreções ou beijos ensandecidos em outro alguém, se no fim das contas é com você que ele vai ao cinema aos domingos, paga a pipoca e diz que te ama?
Estranho é pensar no porque as pessoas acham que alguma coisa deve estar errada na relação para a outra procurar se satisfazer em outros braços. Há tantos braços disponíveis que seria um pecado e um desperdício se restringir aos dois que se tem disponível ou esperar que os defeitos se sobressaiam para usar uma desculpa convincente. Além de hipócrita, considero de um mau-caratismo tremendo tal prática. Nisso, pelo menos os homens são mais verdadeiros. Assumem a necessidade de sexo e ponto. Atribuem tudo a condição de macho e não tem que ficar explicando suas inúmeras galhadas postas nas mulherzinhas que os seguem.
E por falar em pecado, piora quando religião se intromete nesses assuntos puramente carnais. Dizem os crentes que devemos ficar em vigília, tapando os olhos para as delícias do mundo, buscando entrar num céu que nem se sabe se existe. Quer dizer que se eu não tiver vocação para me vigiar, estou fadada ao inferno? E porque Deus faria a carne fraca se não fosse justamente para cedermos aos nossos desejos? A menos que Ele seja um fanfarrão, sem alusão ao nosso querido capitão, que inclusive rimou, mas não foi essa a intenção, é logicamente porque necessitamos de carnes diferenciadas, sejam elas fracas ou não.
Acho que sendo fiel a você mesmo, pode-se muito bem trair ao outro, desde que se tenha a concepção de que monogamia é uma besteira. O importante é não seguir pré-conceitos e sim sua racionalidade humana para não ser manipulado por meios sociais. Nada como uma bela trepada para amadurecer os genitais e os pensamentos a cerca do tema. E no fundo todo mundo está careca de saber sobre essas baboseiras todas, mesmo que por motivos quaisquer não assuma.
Eu me recuso a admitir essa sujeira envolta de algo prazeroso, normal e altamente saudável. Abaixo a cultura da monogamia e a castração dos instintos. Por fim, devo ressaltar: um viva a hipocrisia e os homens pseudo-fiéis, que comem suas esposas sonhando com rabos de saias curtas e decotes umbilicais e outro viva as mulheres que dão para os maridos se concentrando nas rachaduras do teto, ou sonhando com algo bem menos monótono.

7 de dezembro de 2012

A Construção do Mito Mário Palmério




Assisti na noite do dia 30 de novembro o pré-lançamento do livro “A Construção do Mito Mário Palmério”, do autor André Azevedo da Fonseca. Embora em muitas aulas que tivemos com o autor, quando este ainda as ministrava na Universidade de Uberaba, no curso de Jornalismo, várias abordagens sobre construção mítica fossem analisadas, vê-las aplicadas de forma tão objetiva, alcançando de fato seu propósito de sucesso por um personagem tão inserido na cultura uberabense foi fantástico. Isso porque ainda não conheço nada que fale mais ou ensine mais do que o exemplo.
Para mim, que sou jornalista, é impressionante ver o poder que a mídia exerce sobre o imaginário social. Esse poder tem a capacidade sim de criar um mito, quando contribui para que os leitores acreditem na fantasia, nas mentiras e nas encenações feitas pelos personagens que tem prestígio entre os meios de comunicação. E aqueles que nem tem tanto prestígio assim podem adquiri-lo se souberem como jogar esse jogo de aparências que pode manipular toda uma população.
André mostrou muito bem isso ao contar a história de ascensão na vida e na política de Mário Palmério. Um jovem, com pouco mais de 20 anos, que teve a perspicácia de entender como funcionavam as representações sociais no jornal Lavoura e Comércio, o único de Uberaba na década de 40. E mais, que soube como usá-las a seu favor com maestria. Daí para o sucesso profissional foi um pulo. O pulo do gato. Certeiro.
Porém, sou uma dessas pessoas ainda apegada a alguns conceitos que tenho sobre ética. Portanto, não fico deslumbrada com a possibilidade que um espertinho tem de se sobressair sobre os outros porque entende do que chamamos atualmente de marketing pessoal. Mário Palmério fez marketing pessoal. Todos os políticos fazem marketing pessoal. Alguns conseguem se aproximar do que são realmente. Outros são capazes de alienar boa parte da população. Diria até que foi o que aconteceu atualmente nas eleições da cidade, mas não pretendo entrar no mérito da questão.
Existe um problema moral em usar algumas técnicas para conseguir dominar o outro, fazer com que ele te admire e consequentemente seja seu subalterno. Utilizar-se da fragilidade de alguém, da falta de conhecimento, da pureza cultural que não compreende o subliminar é o mesmo que impedir o acesso a verdade e fazer com que confundam o teatro com a vida real. E essa grande proporção de mentira que existe nesse sistema que aliena, violenta mesmo que de maneira elegante, diferencia as pessoas, é o que influencia diretamente na doença da sociedade que estamos vivendo.
Estamos doentes como comunidade porque somos fantoches e aprendemos a, de uma maneira ou de outra, nos conformar com isso e até mesmo acatar essa condição como se fosse imutável, necessária ou normal. E embora tenha percebido que os meios de comunicação da cidade evoluíram um pouco, é triste ainda conseguir compará-los com o jornalismo que era feito em 1940. Um jornalismo baseado na bajulação dos poderosos, nos elogios descabidos nas colunas sociais, na representação de uma sociedade uberabense que só existiu (e ainda existe) para um seleto grupo de pessoas.
Por isso indico para todos aqueles que pretendem entender muito mais sobre como são criados os mitos, o livro de André Azevedo da Fonseca. E acredito ainda que todos, de fato, deveriam entender. Porque é só a partir de uma consciência crítica é que podemos praticar a nossa cidadania em toda a sua extensão. Além disso, o autor tem uma maneira singular de comunicar com clareza para que a informação se torne acessível para todos. E no mais, é um dos poucos autores que conheço que tem a capacidade de falar algo, dizendo o seu oposto.