18 de março de 2013

#odeiorodeio



Eu odeio rodeio e por N motivos. Um deles é que não me apetece ficar rodeada de homens e mulheres vestindo calças jeans dois números abaixo do seu indicado, xadrez por todos os lados, bonés e fivelas que mais parecem placas de estacionamento pendurada no cinto, botas para todos os gostos, música sertaneja para corno nenhum botar defeito e um locutor que faz rimas grotescas. Agora o maior motivo para que eu odeie rodeio é o uso dos animais como entretenimento.
O ser humano, que se diz o único ser racional da Terra, tem uma mania estranha, animalesca e selvagem de usar animais para o seu bel prazer. Nas rinhas, no circo, nos parques, nas touradas e obviamente, nos rodeios, nos deparamos com bichos por todos os lados, amedrontados, presos, esperando à hora de entrar em cena e alegrar a platéia. Mas a que custo? Eles perdem a liberdade, são domesticados de maneira duvidosa, para não dizer agressiva e em muitos desses eventos podem perder até a vida.
Nos rodeios em questão, bois e touros são maltratados para ficarem cada vez mais selvagens e difíceis de serem montados. Um equipamento, que não sei o nome, é colocado para apertar seus testículos. Por outro lado, o peão tem em sua bota uma espora com lâminas de algum metal que fere o bicho. Ele pula não é porque nasceu pulador, nem pra derrubar o homem em cima dele. Ele pula de dor, porque está machucado, assustado com todas aquelas pessoas em volta dele, gritando como bestas enfurecidas.
Se você procurar no youtube, vai ver centenas de vídeos que mostram o que há nos bastidores de festas milionárias como Barretos. Aqui segue o link de apenas um deles: http://www.youtube.com/watch?v=r7_WsqBGxh8
Termino esse texto com uma súplica: POR FAVOR, ACABEM COM OS RODEIOS, COM AS RINHAS, O USO DE ANIMAIS EM CIRCO E PARQUES. E VOCÊ, QUE SE DIZ TÃO HUMANO, USE SUA RACIONALIDADE PARA SER CONTRA ESSAS AGRESSÕES. NÃO ESTIMULE A VIOLÊNCIA AO ANIMAL. PEÇA E GRITE POR MAIS RESPEITO POR AQUELES QUE NÃO TÊM VOZ.
Eu choro agora e não tenho vergonha nenhuma de dizer isso, porque me dói ver seres indefesos sendo usados como objetos da vontade dos homens. E a última frase que deixo pra vocês é a mesma do vídeo: NÓS NÃO TEMOS ESSE DIREITO.


Alliny Araújo – Jornalista
@Dependy
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2 de março de 2013

BRASIL SEM CIGARRO



Diversas campanhas são feitas rotineiramente com a intenção de mobilizar o maior número possível de brasileiros na tentativa de fazê-los pararem de fumar. Iniciativas louváveis, levando em consideração o número de viciados no país e os males que essa droga causa para o organismo. Leis foram criadas para inibir o consumo de cigarro e até fotos horrendas são expostas nos maços para tentar aterrorizar os fumantes. (Confesso que a única que realmente não gosto é aquela que mostra o cara brochando). Além, é claro, dos preços exorbitantes dos maços.
Mas o que fica martelando na minha cabeça é a sensação de que campanhas e leis nesse sentido pouco adiantam de fato. Mas por quê? Pensando a respeito dessa pergunta, como fumante sem vergonha que sou (aqueles que só pitam quando bebem), cheguei a algumas conclusões. Primeiro que a bebida alcóolica praticamente pede um cigarro. É quase impossível, depois de alguns goles, não querer fumar. Portanto é preciso tirar do imaginário das pessoas, principalmente dos jovens, essa cena que mistura diversão e amigos, a bebida e cigarro, para não citar outras drogas.
Segundo que boas prosas também ficam mais interessantes quando existe aquela fumacinha de nicotina queimada pairando no ar. Não sei por que isso acontece, mas o fato é que quando se acostuma a unir momentos agradáveis com o cigarro, vira um hábito mais difícil de abandonar do que a própria química que gera abstinência.
Outro ponto é o fato de o cigarro ter se tornado uma boa desculpa para dar aquela descansadinha. Sem fumar, você não pode simplesmente parar um trabalho, ir para um local mais tranquilo e ficar por lá, à toa, por cinco minutos, por exemplo. Fumando pode, porque fumar é um verbo de ação, quer dizer que você está fazendo algo, ocupando seu tempo, e não está ocioso.
Além disso, o cigarro também é uma companhia. Se você é visto sozinho, sentado em um banco, pode passar a sensação de solidão. Mas se está com um cigarro aceso nos dedos, automaticamente essa sensação muda, pros outros e para você mesmo, que também enxerga o cigarro como um companheiro, que te ajuda, desde a afogar as mágoas ou simplesmente a passar o tempo.
Por todos esses motivos é que acredito que a principal mudança que deve acontecer na cabeça dos fumantes é o modo de ver e de colocar o cigarro no contexto da vida. Enquanto fumar for uma válvula de escape, como quase todas as drogas, vai ser difícil amenizar o vício e os males causados pelo fumo. É preciso acima de tudo, descobrir motivos de prazer que supram a necessidade que as pessoas têm de se entupir de substâncias que fazem mal.
Esse desejo mórbido de autodestruição talvez só seja combatido com campanhas em prol da vida. Quem sabe essa simples mudança de pensamento, ao invés de ser contra algo, ser a favor, ajude a fazer com que as pessoas prefiram a saúde. É importante, no meu modo de ver, colocar positividade em tudo que se faz, para que as coisas fiquem mais leves e mais fáceis de lidar, mudar ou mesmo manter. Por isso eu sou super a favor de uma nova campanha. BRASIL COM SAÚDE, porque a palavra “sem” gera a sensação de que estamos perdendo algo. E “com” quer dizer que estamos ganhando. Eu prefiro ganhar a perder. E você?

Alliny Araújo – Jornalista
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16 de fevereiro de 2013

GAYS HOMOFÓBICOS???



Geralmente fico me policiando para não falar apenas sobre homossexualidade e os preconceitos que ainda sofremos da sociedade. Mas preciso falar sobre o pior tipo de preconceito que existe nesse sentido: o de gays contra gays. E pra ancorar o texto, ouvi de um amigo uma história que me deixou chocada. Ele foi humilhado e agredido verbalmente por um casal de amigos gays só porque beijou um cara em uma festa.
Daí eu fico me perguntando: Como é que gays podem ser contra manifestações de carinhos entre iguais? E o que é pior, como podem se sentir no direito de esculachar quem tem coragem de se assumir? Em minha opinião, esses sim deveriam sentir vergonha de se esconder atrás da máscara da hipocrisia, por causa de uma sociedade que não os aceita. E nesse momento surge outra pergunta: é a sociedade mesmo que não os aceita, ou o problema é no buraco, que fica bem mais embaixo?
Confesso que em momentos assim me sinto envergonhada de fazer parte de uma classe ainda tão desunida. E não entra na minha cabeça comportamentos desse tipo. Quer ser enrustido? Que seja, mas não fique aí atrapalhando a felicidade de quem não tem motivos para se camuflar, ou assumir papéis inexistentes. Até porque, nem a lei proíbe exposição homo afetiva, onde quer que seja. E se não é contra a lei, meu amigo, é porque não prejudica ninguém.  
Bandido é que tem que se entocar e fazer coisas por debaixo do pano. E se você que é gay não é assumido, por qualquer motivo que seja, pra mim você está se igualando a esses mesmos bandidos. Está dizendo pra sociedade, com o seu comportamento, que ser gay é errado, que é algo pra ser vivido só quando não tem ninguém olhando. E eu sinto nojo de você, porque no seu egoísmo, prejudica uma classe inteira que pretende ser feliz sendo quem é e faz por onde, mostrando ao mundo que somos normais.
No mais, acho que gente assim não tem mesmo que falar pro mundo que é gay, porque gay, como a tradução da palavra em inglês, é feliz, rosa, roxo, cheio de purpurina que é pra brilhar e aparecer por onde quer que vá. É arco-íris, meu bem, cores que o mundinho dos enrustidos deve desconhecer por ser cinza, marrom ou beginho.
POR FIM, EU TENHO MUITO ORGULHO DE SER GAY E OS INCOMODADOS QUE SE RETIREM. Alt+F4 é serventia da casa.

Alliny Araújo - Jornalista
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alliny_araujo@hotmail.com

2 de fevereiro de 2013

Mais sobre Incoerência


OBS: fiz esse texto há algum tempo, quando a boate gay foi aberta. Mas como nunca vejo travestis frequentando o local, acho que ainda deve ser proibida a entrada deles. Por isso, pela indignação, pelo pedido de respeito ao ser humano, esse texto vale ser republicado.



No fim de semana passado abriu uma nova boate gay em Uberaba. Uma estrutura ótima, com um ambiente bem decorado, bonito, fino, um som muito bom e gente bonita. Nós gays merecemos um lugar assim pra dançar, ver gente, beber, sorrir, enfim, nos divertir. Mas antes que você pense que esse texto é um jabá, um release, ou algo do tipo, já adianto que o motivo para falar sobre a boate é que Nem que a Vaca Tussa vou ficar calada diante do fato deles estarem proibindo travestis de frequentarem o lugar.
É amigo, você não leu errado. Em um lugar onde o foco é o público gay, travestis são barrados na porta, proibidos de entrar e usufruir de tudo que já mencionei acima. Agora eu me pergunto: Por quê? Quem ali dentro, ou de fora, ou em qualquer lugar da sociedade tem moral ou direito de vetar a liberdade de ir e vir de qualquer ser humano? Pior, quem é o GAY sem noção nenhuma de civilidade que tem a coragem de humilhar uma camada social que já luta tanto pra ser aceita, sabendo, como gay que é, o quanto é difícil viver nessa sociedade preconceituosa?
Eu fico por entender uma coisa dessas e não dá pra engolir atitudes assim. Eu queria muito poder dizer que finalmente Uberaba tem um lugar onde dá gosto de ir, mas, infelizmente, as notícias não são tão boas assim. Acho que já é hora de os travestis se revoltarem e lutarem para que seus direitos sejam reconhecidos. E se orgulharem de terem mais coragem do que muita bicha que fica por aí se achando superior e no fundo morre de vontade de ter um belo par de peitos, uma bunda empinada e dura e um super cabelo para arrasar na pixxxxxta.
Travestis, vocês tem o meu apoio e fiquem sabendo que não só o meu. Muitos gays, lésbicas e afins estão indignados com essa atitude idiota por parte dos donos e/ou organizadores da boate. Deve ser invejinha da beleza de vocês que chama muito a atenção por onde quer que passem. Mas independente de qualquer coisa, já passou da hora, digo e repito sempre que for preciso, de termos mais respeito pelo ser humano. E é lamentável ver desrespeito em locais onde devia imperar a liberdade: de expressão, do ser, do vestir, sentir, agir e viver. E acima de tudo, a liberdade para ser feliz.
No fundo, somos todos iguais nas diferenças.

18 de janeiro de 2013

Império da Desigualdade e do Caos


        
        Segundo o filósofo Eurípides, os pobres são danosos, propensos à inveja e seduzidos pelos discursos dos demagogos. Para Aristóteles, há indivíduos tão inferiores a outros que o emprego da força física é o melhor que deles se obtém. Na Bíblia, a miséria existe para contrapor o egoísmo e a ambição e o que há de preconceituoso nessas visões é o que muitas vezes influencia, nos dias de hoje, a visão capitalista da desigualdade social. Mas como podemos diferenciar seres humanos, se todos têm polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido? Quem escolheu, lá nos primórdios, quais seriam ricos e os que deveriam acatar o fardo de ser miserável?
É óbvio constatar, a partir disso, que o que realmente nos torna pessoas de classes sociais distintas é a quantidade de cifras da nossa conta no banco (se existir uma conta) e não a capacidade de buscar melhorar o mundo, nem que seja o nosso. Como diria Rousseau, acatamos as cercas de um terreno e reconhecemos seu dono por não termos nos rebelado, naqueles mesmos primórdios e reconhecido que os frutos são de todos e a terra não pertence a ninguém, muito menos ao dono dos porcos.
Infelizmente, somos altamente influenciáveis e passíveis de crenças e ideologias criadas por quem quer dominar a sociedade e reconhece as suas habilidades de persuasão, usando-as com maestria. A pobreza, em algumas religiões, é uma dádiva. Alcançarão os céus àqueles que forem humildes na Terra. Para a economia, é um problema que os políticos não querem sanar, pois quanto mais indivíduos sem as mínimas condições de ter consciência crítica, mais fácil será a manipulação das massas e, por conseguinte, a imposição de salários ridículos, ainda com certa aprovação ou um conformismo vantajoso.
            Isso explica o motivo da renda mundial ser tão concentrada e a maioria da população aceitar tais fatos, sem qualquer reação. Eike Batista perdeu esses dias 2 bilhões de sua fortuna na bolsa de valores e sabe o que aconteceu? Nada. Não fez nem cócegas. Dinheiro tem para jogar fora e junto com ele existem mais alguns bilionários pelo mundo, enquanto a maioria da população sobrevive com migalhas.
Ainda por cima somos moldados a acreditar que a culpa da pobreza é nossa, que não estudamos o suficiente para “subir na vida”, não trabalhamos o tanto que deveríamos, ou quem sabe recebemos um fardo divino que devemos carregar sem maiores reclamações. E assim nos tornamos cada vez mais passivos e controlados facilmente pelo sistema. Até porque, humildade na boca de muitos é uma dádiva e dinheiro não traz felicidade. Realmente não acredito que traga em sua essência, mas sentir fome, frio, ter mais contas do que se pode pagar ou estar desempregado, não dá nem espaço para alegria entrar na vida de alguém.
            Infelizmente não passamos de engrenagens baratas de uma sociedade injusta e imoral, que é capaz de colocar seres-humanos se alimentando de lixo, enquanto toneladas de alimentos se perdem, simplesmente porque eles não têm nenhum dinheiro ou um dono que os alimente. E continuamos de braços cruzados, vendo as ilegalidades empregarem nossos filhos, o medo apavorando nossas vidas e os burgueses rindo da nossa alienação atrás de seus seguranças e carros blindados, para não serem atingidos pela massa pobre, sem oportunidade e sem nenhum motivo para se ter respeito pelo ser humano. 

Alliny Araújo
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