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#fanatismoreligioso



Queridos megalomaníacos, ou qualquer aventureiro que possa estar lendo essa coluna...

Esse é o primeiro texto que escrevo para o que iremos chamar de “Nem que a vaca tussa”. O motivo para criar esse espaço de indignação é pela constante inquietação que me arrebata e me faz não querer me adaptar. E nem que a vaca tussa vou engolir, em pleno século 21, desrespeito ao ser humano, aos animais e ao meio ambiente, preconceito, desigualdade, hipocrisia, corrupção, falta de caráter, injustiça, e tantos outros sentimentos vis que me fazem sentir nojo de ser gente. E o primeiro deles, com certeza o pior e mais terrível de todos, é o uso do nome de Deus em vão, em prol de um #fanatismoreligioso que não cabe de forma alguma no estado laico em que vivemos. É tanto disparate, baboseira e barbaridade que tenho visto, lido e ouvido ultimamente, que nem sei por onde começar. Bom, pensando bem, acho que sei.
Tudo começou com o kit gay. Esse assunto me atinge em todos os sentidos. Como bissexual assumida, vejo opiniões acerca de uma ferramenta que pretendia ser pedagógica, ferir a minha moral, minha dignidade e até mesmo sugerir que a minha conduta está fora dos desígnios divinos. Hoje não vou citar a bíblia, nem falar sobre a criação do homem e da mulher e de toda ignorância do ser humano para interpretar um livro que está fora da sua capacidade de entendimento. Não quero falar de ciência, nem de lógica. Meu propósito aqui é discutir porque estamos calados diante de uma bancada religiosa que se formou na nossa câmara dos deputados e está discutindo leis que são para TODOS (eu disse todos, sem distinção de credo, raça, camada social, orientação sexual) com argumentos tirados do seu #fanatismoreligioso e que desrespeitam a noção de justiça do estado que é laico. Até quando vamos nos conformar que o Brasil seja guiado por homens que desconhecem a noção de povo e governam de acordo com interesses próprios?
Se o kit gay estava “pesado” demais para a faixa etária pretendida, com imagens desnecessárias, vamos falar sobre isso então, mas baseados na psicologia, na pedagogia e nas pessoas que pensam, estudam, pesquisam sobre educação e a melhor forma de atingir os alunos. É inadmissível usar termos como academia de homossexuais, falar sobre Sodoma e Gomorra e machucar os princípios dos gays como fez Magno Malta, aos berros, em um vídeo no youtube que outros fanáticos aplaudem, e que me causa náuseas. É um absurdo ter que ler declarações de Myrian Rios dizendo que não contrataria empregados homossexuais porque eles poderiam praticar pedofilia com seus filhos. Hã??? Como assim??? Foi exatamente o que eu pensei.
A discussão era criar um kit para levar as escolas e mostrar as crianças que somos todos iguais e devemos ser tratados com respeito. Mas o resultado que vi foi um circo formado em Brasília que usa Deus para discursar porque não tem argumentos próprios. Como se Deus distinguisse seus filhos e não fosse visto como essencialmente justo e bom por todas as religiões. Um ser justo e bom não trata ninguém com hostilidade, desumanidade e com a intenção de pisar e humilhar uma camada social. Para finalizar, me pego pensando quando nós, gays, vamos nos juntar, assim como os milhões que desfilam nas paradas, para pensar política e não permitir que mais fanáticos ocupem cadeiras na câmara, no senado, na presidência e na puta que pariu.

Alliny Araújo – Jornalista
@Dependy
alliny_araujo@hotmail.com
allinyaraujo.blogspot.com

2 comentários:

Jaki Barbosa disse...

Legal! muito bom seu texto e argumento. Concordo plenamente! VC viu o artigo que o D roque escreveu p Jornal de Uberaba no domingo dia 10/07??? Acho que ele piorou ainda ais a situação ao tentar justificar a atitude de seus colegas na Camara Parabéns pela Coluna!

Alliny Araújo disse...

brigadu Jack. É, religiosos fanáticos geralmente só pioram as coisas.

 

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